Exposição “Tropicália: Régua e Compasso” tem lançamento no Palacete das Artes

Como eram os jovens dos anos 1960, na Bahia, antes que o Tropicalismo fosse gerado no sudeste do país? Um viés da efervescente ambiência cultural desta época está sendo reconstituído a partir de peças de acervos museológicos, compondo a exposição Tropicália: Régua e Compasso (A Bahia Cultural Pré-Tropicalista). A mostra será aberta no dia 8 de dezembro, quinta-feira, às 17h, na Sala Contemporânea Mario Cravo Jr, do Palacete das Artes, com bate-papo com o cantor e compositor Tom Zé, um dos ícones da Tropicália. O público tem acesso livre ao evento.

De acordo com Murilo Ribeiro, diretor do Palacete e curador da mostra, “esta exposição nunca foi tão oportuna para entendermos exatamente o ambiente na Bahia que proporcionou o florescer da Tropicália. Esse ambiente foi muito positivo, sobretudo pela importância do reitor Edgard Santos, da Universidade da Bahia, que, catalizador, trouxe figuras relevantes para a geração desse movimento”. O recorte da mostra reúne informações que servem para o conhecimento das novas gerações, detalha e conclui: “Todos estão convidados a embarcar nessa memória”.

Vanguarda na Bahia – Uma das presenças na Bahia no período pré Tropicalista, o suíço Walter Smetak  é autor das Plásticas Sonoras, peças consideradas obras de arte por críticos e pesquisadores e que terão um recorte exibido ao público da exposição no Palacete. Instrumentos concebidos pelo “velho mago” foram um sopro de renovação na música da Bahia, influenciando uma geração de músicos e artistas, ao harmonizar referências populares, como cabaças, com elementos eruditos.Es

Partindo para experimentações sonoras e plásticas, o mestre da Escola de Música defendia ideias como a de que alguns instrumentos poderiam ser criados para domar o ego e unir as pessoas, a exemplo do “Pindorama”, que poderia ser tocado, ao mesmo tempo, por 28 pessoas. Smetak recebeu (in memoriam) a medalha da Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura.

Assim como Walter Smetak, a italiana Lina Bo Bardi integrou o grupo de artistas e intelectuais da vanguarda européia que veio residir na Bahia, no século passado, contribuindo para o dinamismo cultural do estado. Ela se mudou para Salvador no final dos anos 1950, assumindo a direção do Museu de Arte Moderna (MAM). Voltou seu olhar para a cultura do Nordeste brasileiro, iniciando uma coleção com objetos de madeira, utensílios de barro, pilões, imagens do catolicismo e objetos do candomblé.

TROPICÁLIA: RÉGUA E COMPASSO

Abertura da exposição: dia 8 de dezembro, quinta-feira, às 17h. Bate-papo com Tom Zé; visitação da exposição; apresentação de professores e alunos do Laboratório de Música do CFA da Funceb, capitaneados por Letieres Leite; apresentação especial de artistas “smetakeanos” (Tuzé de Abreu, Bárbara Smetak, Uibutú Smetak, Paulo Dourado, entre outros).

Programação até março, às terças, quartas e quintas-feiras sempre a partir das 17h:

A Sopa de Maria: Terças-feiras : 20/12, 10 e 24/01, 7 e 14/02, 14 e 28/03
Uma Ideia na Cabeça: todas as quarta-feiras até 30/03
Essa Noite se Improvisa: Quintas-feiras: 5 e 19/01, 09/02, 23 e 28/03
Seminário e lançamento de revista: dias 29 e 30/03

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