Oração do Amor Selvagem será exibido em agosto, no Canal Brasil

A série de crimes bárbaros cometidos por um camponês no interior de Santa Catarina no fim da década de 1970 inspirou o roteiro desse longa-metragem assinado por Chico Faganello, natural do estado sulista. O diretor investigou os detalhes de um caso triste sobre violência, loucura e intolerância religiosa em um lugar segmentado pelo preconceito, onde novas religiões e seitas ascendem em meio a um caldeirão místico ainda impregnado pelas cinzas da Guerra do Contestado. Depois de entrevistas com remanescentes do trágico episódio, o cineasta adaptou para o cinema a história, uma ferida ainda aberta na população local, em longa-metragem estrelado por Chico Diaz, Sandra Corveloni, Ivo Müller e Georgina Castro.

“Nenhum Deus pode impedir a felicidade do homem”. Esta frase guia a linha narrativa de Thiago (Chico Diaz), um camponês do interior do estado de Santa Catarina. O trabalhador rural mora com a filha, Clara (Camilla Araújo), no sítio de um enigmático fazendeiro, devoto de forças ocultas. Quando o latifundiário ameaça matar a menina, ele não hesita e atravessa uma faca em seu pescoço. Pouco tempo depois, viaja em busca de abrigo e de ajuda para a enferma esposa, e encontra resguardo em uma pequena comunidade. A rápida morte do cônjuge e o fanatismo religioso dos líderes da região o fazem rumar novamente à estrada de terra com seus poucos pertences nos lombos dos cavalos, e eles são acolhidos em uma calma vila pela viúva (Sandra Corveloni).

A troca de cidade não muda os problemas recorrentes da sofrida trajetória de pai e filha, nômades perseguidos pela imposição de doutrinas e liturgias com as quais não concordam. A nova comunidade é conduzida pelas rígidas leis espirituais do pastor Kurtz (Ivo Müller), homem de valores retrógrados e austeros. O ateísmo de Thiago o incomoda e provoca sua desconfiança. Ao mesmo tempo, o campesino se sente pressionado a seguir as regras do lugar. Aflito, o camponês se recusa a acompanhar os regimentos religiosos do ministro, e começa a ser menosprezado pela população. A situação se torna ainda mais confusa quando o soturno lavrador se apaixona por Miranda (Camila Ubner), irmã do reverendo. Sectarismo e acossamento, destilados imprudentemente em uma panela de pressão, compõem uma receita explosiva.
A direção aposta em tonalidades de poucos contrastes e diálogos escassos, representando a aridez de seu horizonte e caminhando em um ritmo vagaroso e contemplativo. Chico Faganello imprime uma atmosfera ambientada em densidade e profundidade. O som comunica através de silêncios e ruídos na bela paisagem natural de Santa Catarina, e a trilha sonora, escrita por Zeca Baleiro, completa a aclimatação tétrica da película – o compositor maranhense compôs dois hinos e gravou com o coral de uma igreja. Em cadência progressiva, há reviravoltas entre o drama e o suspense, concedendo ao filme um clima asfixiante, com ansiedade e morbidez. É a delineação dos malefícios da ignorância e do medo trazidos pelo radicalismo da religião, mais capaz de afastar do que de aproximar pessoas.

Terça, dia 16/08, às 22h e sábado, dia 20/08, à meia-noite.

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NET – canal 150
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