As cores do sagrado aquarelas de Carybé

A CAIXA Cultural apresentou a exposição As cores do sagrado, um registro das tradições do candomblé da Bahia a partir de 50 obras com os traços leves, coloridos e minuciosos de Carybé. A curadoria é de Solange Bernabó, filha de Carybé, que buscou privilegiar a sintonia entre técnica e fases do artista. A exposição já passou por Salvador, Recife e Rio de Janeiro.

As imagens foram produzidas ao longo de 30 anos de pesquisas, entre 1950 e 1980, e são registros de vivências pessoais do artista nos terreiros que frequentava. As casas estão entre as mais tradicionais da religiosidade de matriz africana, na tradição nagô, jeje e angola. Uma vez que não é permitido filmar ou fotografar cerimônias do candomblé, a memória fotográfica de Carybé foi o seu principal recurso para retratar com exatidão e riqueza de detalhes as práticas, desde os ritos de iniciação, passando pelas festas e incorporação dos orixás até os rituais fúnebres, em uma sequência didática dos cultos envolvidos.

“Essa mostra não retrata o lado místico, fruto da imaginação de Carybé. Antes disso, é uma representação da realidade, a partir da observação do que, de fato, acontecia nos terreiros. Ele retratava com respeito e beleza as práticas da religião”, explica Solange.

As 50 obras selecionadas foram reunidas originalmente no livro Iconografia dos deuses africanos no candomblé da Bahia (1981). Composta por 128 aquarelas de Carybé, com introdução do escritor Jorge Amado e textos antropológicos do fotógrafo e etnólogo Pierre Verger e do historiador Waldeloir Rego, a publicação representa uma recriação da participação do elemento negro na cultura baiana ao passo que preserva a memória histórica do Brasil, por ter sido a Bahia a primeira porta de entrada da miscigenação no país. Esgotado desde a última edição, atualmente o livro é encontrado apenas nas mãos de colecionadores.

Exu obra de Carybé

Exu obra de Carybé

Carybé:
Argentino de nascimento, baiano por opção e carioca por criação, o artista veio pequeno para o Rio. Batizado Hector Julio Paride Bernabó, foi na capital fluminense que escolheu o nome pelo qual viria a ser conhecido no mundo inteiro. Criança, ele participava de um grupo de escoteiros do Clube de Regatas do Flamengo, integrando a Tropa dos Peixes. Incentivado a escolher um nome para ser chamado, optou por Carybé, nome dado à piranha vermelha, um peixe considerado muito feroz.

No Rio, iniciou-se no mundo das artes. Ainda hoje os cariocas convivem com obras do artista. No Parque da Catacumba, no Teatro Nelson Rodrigues e na CAIXA Cultural Rio estão algumas de suas esculturas, além de outros dois trabalhos no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Suas obras também alçaram voos para outros países como Estados Unidos, Japão e Itália.
Pintor, escultor, ilustrador, desenhista, cenografista, ceramista, historiador, pesquisador e jornalista, Carybé, morto em 1977, tem sua genialidade associada à Bahia, cuja essência soube materializar em desenhos, aquarelas, esculturas e grandes murais.

Conquistou títulos importantes. Foi o ganhador da 1ª Bienal Internacional de Livros e Artes Gráficas e do 1º Prêmio Nacional de Desenho, na 3ª Bienal de SP. O título de que mais se orgulhava foi o de Obá de Xangô, oferecido pelo terreiro Ilê Axé Opô Afonjá. Amigo de importantes artistas como Rubem Braga, Pierre Verger, Dorival Caymmi e Jorge Amado, Carybé ilustrou diversos livros. Destaque para Cem anos de solidão, do escritor Gabriel Garcia Márquez.

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