A Tragédia Latino-Americana

O projeto ‘Puzzle’ (2013) representou um importante marco na trajetória de Felipe Hirsch. Pela primeira vez, ele levou para o palco a obra de autores brasileiros contemporâneos em um espetáculo dividido em três partes (a, b, c) que estreou na Feira do Livro de Frankfurt. O êxito da empreitada rendeu uma quarta montagem (d) e elogiadas temporadas em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Com parte do grupo formado na ocasião (Ultralíricos), Felipe dá um passo adiante e apresenta, a partir de 9 de março, a primeira parte de uma nova pesquisa, que tem como base a literatura latino-americana e o cenário sócio-político do continente. ‘A Tragédia Latino-Americana e a Comédia Latino-Americana. Primeira Parte: A Tragédia Latino-Americana’ fará quatro apresentações no Festival MITsp e seguirá em temporada no Sesc Consolação de 17 de março a 17 de abril.

A Tragédia Latino-Americana’ é estruturada a partir de fragmentos, adaptações e trechos de obras de nove países da América Latina: Argentina (J. P. Zooey, Pablo Katchadjian), Bolívia (Jaime Saenz), Brasil (Glauco Mattoso, Lima Barreto, Reinaldo Moraes),Chile (Roberto Bolaño), Colômbia (Andres Caicedo), Cuba (Cabrera Infante), Honduras (Augusto Monterrosso), México (Gerardo Arana) e Uruguai (Hector Galmés).

A presença internacional se estende ainda para o elenco, que contará com a participação do ator argentino Javier Drolas e da chilena Manuela Martelli. Eles estarão ao lado de Danilo Grangheia, Georgette Fadel, Guilherme Weber e Magali Biff – vindos de ‘Puzzle’ – e de Caco Ciocler, Camila Márdila, Julia Lemmertz, Nataly Rocha e Pedro Wagner, que se juntaram ao grupo. O espetáculo contará ainda com seis músicos (Ultralíricos Arkestra) que vão executar ao vivo a música escrita e arranjada especialmente para o projeto por Arthur de Faria.

‘Embora fale de coisas tão cruéis, tão complexas e tão difíceis como em ‘Puzzle’, desta vez o humor não é tão irônico, portanto não tão violento e desagradável. A montagem se tornou um pouco mais farrista e a música traz esta maneira às vezes bem humorada, ainda que muito cruel, de se falar as coisas. A minha ideia ao iniciar o projeto seria fazer uma tragédia um pouco mais carinhosa e a comédia mais violenta’, ressalta Felipe, cuja preocupação era de que a música, como forma, não sobressaísse em relação à literatura escolhida para o espetáculo, mas que fosse provocativa e que, em alguns momentos, pudesse fazer uso da literatura também. ‘E a música confere um caráter ritual à peça, que se transformou em uma espécie de ópera macabra ou musical farrista’, resume.

Mais uma vez, Felipe renovou as parcerias com Daniela Thomas e Felipe Tassara (Direção de Arte) e Beto Bruel (Ilumincação), presentes em todos os seus espetáculos dos últimos 15 anos. A cenografia é toda formada por enormes blocos de isopor, em uma proposta que segue a tendência de se concentrar no essencial. ‘A maturidade faz com que você fique menos ornamental e que busque de fato qual é a ideia, qual é o conceito e você passa a sentir vontade de trabalhar com matérias mais brutas. Essas matérias mais brutas tem resultados, às vezes, muito sofisticados’, analisa.

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