Novo Som: Overdrive Saravá

Com o lançamento de seu álbum de estreia marcado para setembro, a banda niteroiense Overdrive Saravá joga na rede agora em agosto o clipe da terceira música do disco: “Atabaques e D’jembes”. A proposta é uma experimentação social inspirada na necessidade de derrubarmos as barreiras das diferenças e dos preconceitos.

O roteiro traz aos holofotes um personagem invisível na sociedade, representado por um catador de lixo apático que circula sem norte pelo centro do Rio de Janeiro em busca de sua subsistência, à procura de um lugar em que deixe de ser uma figura ignorada.

“O catador, à margem da sociedade, encontra no lixo elementos através dos quais ele se empodera, nasce, se cria e se transforma. Cheio de si, embriagado pela descoberta de um novo ‘eu’, ele vaga pela Lapa com uma nova atitude, provocadora, interativa, passando do invisível ao visível em um cenário totalmente alegórico”, conta o vocalista da banda, Gregory Combat.

A produção tem formato de minidocumentário com participação expressiva e fundamental do ator Vinícius Andrade, estudante de Artes Cênicas/Direção Teatral na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O tema gira em torno das questões de gênero e da necessidade de se encaixar a padrões preestabelecidos para ser aceito na sociedade. A inspiração, contam os músicos, veio de um outro vídeo com proposta semelhante, chamado “AMERICAN REFLEXXX”, gravado na Carolina do Sul, nos Estados Unidos.

“Encontramos o Vinícius através de uma indicação e ele topou o trabalho logo de cara. Filmamos com a Lapa cheia, com uma câmera o seguindo e registrando tudo que acontecia naquela noite. A parte inicial, em que ele aparece como catador de lixo, foi a mais idealizada, e roteirizada. Após a transformação, apenas o seguimos e deixamos acontecer”, explica Gregory.

Com a luta das minorias caracterizada por um personagem sem obrigatoriedade de identificação de gênero, os músicos buscaram levantar não apenas a bandeira da vivência LGBT, mas também do repúdio à intolerância religiosa, à população de rua e à população negra. “É simbólica a filmagem no Rio de Janeiro, na Lapa, coração de uma capital olímpica que desalojou muitos moradores para construção de complexos suntuosos ‘para inglês ver’, claro, em sua esmagadora maioria negros e pobres. Um espetáculo do qual a população definitivamente não se sente parte”, completa Gregory.

Contrariando as expectativas da galera da Overdrive Saravá, o vocalista revela que a reação das pessoas durante a filmagem foi positiva. O motivo talvez tenha relação com o palco escolhido para a performance, a Lapa, uma grande alegoria por si só, que refletiu aceitação e interação por parte do público, e tornou a experiência um pouco mais lúdica. De qualquer forma, isso não interferiu em momento algum na imagem de um ser humano violentado, invisível e marginalizado.

A teatralidade marcada no clipe não é exceção no trabalho da Overdrive. Tal característica passou por um processo de amadurecimento desde o surgimento da banda, em 2012, e hoje faz parte de sua identidade. “Essa questão plural às linguagens para nós é muito cara, não acreditamos em música pela música. Todas as vertentes dialogam entre si, essas valências não são engessadas e podem acrescer de forma muito rica a todas as outras. Inegavelmente enxergamos isso em todas as áreas. Alguns artistas a deflagram assumidamente, outros não, mas está lá de alguma forma”.

©2017 SSAUP Salvador Update - Desenvolvido por AZUL DESIGN(ERS)

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?