Sammliz (PA) é a nova voz da Natura Musical

A cantora e compositora paraense Sammliz lança seu primeiro disco solo, Mamba (Natura Musical), com repertório autoral. No álbum, stoner, pós-punk e eletrônica se misturam a doses precisas dos ritmos de sua terra. Após 10 anos à frente da banda Madame Saatan, Sammliz abre espaço para novas experiências sonoras com temas sobre o amor, o tempo, a morte no sentido de renascimento e a força feminina. O portal Natura Musical oferece o disco em streaming a partir de 16 de agosto no www.naturamusical.com.br .

O repertório do disco conta com 10 músicas, 9 assinadas por Sammliz, entre elas a faixa-título “Mamba”, inspirada em um poema escrito pela própria cantora, “Oyá”, que crava o rock n’ roll de maneira carregada e bateria forte, “Fucking Lovers” , entendimento entre o rock e a canção de amor e “Quando o Amanhã Chegar”, que mostra a versatilidade da voz de Sammliz em um brega dos anos 80 cheio de sensualidade. O disco conta com a participação dos guitarristas Leo Chermont (Strobo) e João Lemos (Molho Negro) e a direção artística é de Carlos Eduardo Miranda. 

O projeto, que inclui a gravação do disco e shows de lançamento, foi selecionado pelo edital Natura Musical 2014, com apoio da Lei Semear. “O Natura Musical foi criado para valorizar a música brasileira em diferentes estágios, fomentando a renovação da produção e apoiando iniciativas de preservação de nosso legado musical. O edital Pará, que existe há quatro anos, já lançou novos trabalhos da efervescente cena paraense, como Felipe Cordeiro, Lia Sophia, Aíla, e, agora, Sammliz”, diz Fernanda Paiva, gerente de Marketing Institucional da Natura.

O jornalista e produtor cultural Marcelo Damaso faz um faixa-a-faixa do novo disco:

“’Adeus com os olhos no céu, pra não ver os raios em mim. Você rasteja pelo tempo, traz o peito queimando”, são os versos que abrem Mamba, da faixa homônima do novo disco de Sammliz. Depois do fim da banda Madame Saatan, ela já sabia que viria com seu trabalho próprio, mas não se precipitou. Deu um passo de cada vez, escreveu poemas, letras e rabiscou uma ou outra canção. E o resultado foi um belo disco de rock, na sua melhor concepção: direto, inspirado e revelador. Revelador, ainda, no sentido mais próximo do novo, pois Sammliz ressurge numa espécie de “exorcismo”, ressaltando o destaque que sua figura feminina representa e se reaproximando de sua espiritualidade.

Das 10 faixas, 9 foram compostas por ela. “Mamba”, a faixa-título que abre o disco, foi feita em cima de um poema escrito por ela que carrega toda sua simbologia mística e representa muito bem o espírito do álbum. Uma bela e direta canção de rock, carregada de distorções, bateria reta e recado dado com clareza, anunciando bem o que se segue, principalmente na segunda faixa chamada “Oyá”. E em “Fucking Lovers” vem à fórmula perfeita, agregando o rock com a canção de amor, sobre amantes erráticos e o refrão certeiro “Mas eu terei a sorte do fim, olhando a morte de uma estrela nos olhos dela”. Além de Sammliz capitaneando, a produção contou com dois ótimos guitarristas, Leo Chermont (Strobo) e João Lemos (Molho Negro), além da direção artística de Carlos Eduardo Miranda. 

Mamba conta com excelentes timbres de guitarras que, aliados à sujeira de efeitos e programações sob medida, arrancam o que ele se propõe a fazer de melhor. A bateria, reta e com pegada segura, é de Arthur Kunz (Strobo) e o baixo, de João Paulo Deogracias. As faixas “Lupita” e “Magnólia” reforçam a essência do álbum, tanto na pegada rock quanto na mensagem, assim como em “Aurora”, em que Sammliz divide a autoria com João Lemos.

A constatação definitiva de que a cantora chegou a um timbre de voz mais sereno está em “Quando o amanhã chegar”, escolhida a dedo para ser o cover do disco. Um irresistível brega das rádios dos anos 1980, mas que aqui assume a angústia de um trip hop de se derreter, com sensualidade e romantismo caminhando lado a lado. “Ano Novo”, que já vai se despedindo do disco, assume o papel de fazer a transição para um final mais carregado de dança e tambores.

E antes de chegar ao fim do álbum, as faixas “Meu Bem” e “Faca” se destacam como dois flertes que trazem, de forma muito honesta, um sotaque mais regional. “Meu Bem”, em parceria com Leo Chermont, tem aquele refrão que te faz entrar no elevador cantarolando em um dia qualquer da semana, com certa latinidade e algumas doses de cumbia, brega e eletrônica. Já “Faca, que encerra o álbum, traz o punch tribal grave de uma percussão permeada por tambores maranhenses que se despedem em um tom soturno, quase como uma obra post-punk, mas com uma sonoridade moderna, sem excessos e com timbres bem dosados, escolhidos com cuidado.

Há ecos de um punhado de sons que influenciaram a formação de Sammliz, como o blues, o bom e velho Black Sabbath, Bessie Smith e PJ Harvey. E são coisas como essas que fazem de Mamba um disco forte, escuro e sexy, onde o que se destaca é a figura feminina com suas inquietações, paixões e recados diretos, colocando o rock como principal combustível, na estreia solo de uma cantora que já traz o gênero em sua essência.”

 

///Por: Sidney Rocharte

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